Capítulo 1

Essa é a “Parte 1” do livro Aposta disponível para leitura.

***

Meu sorriso não abandonava meus lábios. Como se podia ficar sem sorrir quando se está sentado no carro de uma das pessoas mais importantes da cidade? Uma diversão como essa não é sempre que acontece, então eu aproveitaria cada segundo.

– Você sabe que pode se magoar, certo? – Brandon disse levantando uma de suas sobrancelhas, enquanto virávamos a esquina a caminho do pub mais caro da cidade.

– Você sabe que eu vou quebrar seu coração – ri levemente, dando de ombros – Talvez destruí-lo.

– Uma aposta? – propôs enquanto estacionava o carro, um sorriso bailando no canto de seus lábios. Virou-se para mim e passou a mão de leve pelo meu rosto.

– Vamos lá.

Saímos do carro e logo Harris já andava na minha frente, aproveitei para olhar seu corpo por trás. Deus, ele é lindo. Esperei por alguns segundos, enquanto ele conversava com o segurança moreno. Depois de alguns sussurros Brandon sorriu para mim e acenou com cabeça, puxou-me pela mão e entramos no pub ignorando uma fila que deveríamos ter enfrentado. Alguns protestaram com o segurança, mas é claro que não adiantou muito, eles não eram Brandon Harris.

A música alta entrava pelos meus ouvidos me deixando elétrico, o lugar estava cheio; pessoas dançavam e bebiam por todos os cantos.

– Quer beber algo, Collins? – Brandon sussurrou perto do meu ouvido, mordendo meu lóbulo em seguida. Ele sabia como provocar.

– Claro – Sorri.

Quando nos aproximamos no bar um dos barmans sorriu para o moreno ao meu lado, Brandon o cumprimentou retribuindo o sorriso.

– Eu vou querer um… Alexander. E você Oliver?

– Hmm… Caip… Caipri…  – tentei falar o nome enquanto olhava para os nomes das bebidas. Franzi o cenho, por não estar conseguindo.

– Caipirinha. É uma bebida Brasileira – O barman ajudou-me com o nome. Ele tinha um sotaque diferente, com certeza não era inglês.

– Muito bem.

Ofereceu-nos um sorriso e se afastou começando a preparar nossas bebidas. Senti Brandon colocar suas mãos em minha cintura e me puxar levemente de encontro a ele. Um sorriso debochado dançava pelos seus lábios.

– Já veio aqui antes? – perguntou-me debruçando no balcão escuro, parecia interessado.

– Não, – dei de ombros – primeira vez.

– Comigo – sorriu e aproximou seu rosto do meu, nossos lábios ficaram a centímetros distância; eu teria acabando com essa distância se o barman não tivesse nos atrapalhado.

– Suas bebidas.

Com sorrisos pegamos as bebidas e nos afastamos um pouco. Brandon me guiou até uma mesa mais afastada, onde dois garotos se beijavam. Franzi o cenho e olhei para o moreno ao meu lado, esperando uma explicação.

– Amigos meus – sussurrou dando de ombros.

– Ah.

– Daniel você poderia parar de engolir o Rian por um minuto, por favor? – falou em alto tom, atraindo a atenção dos garotos, que nos olharam curiosos.

Quando o beijo cessou pude reparar mais nos garotos, um deles era loiro e tinha o cabelo numa franja, a pele pálida e grandes olhos cor bombom, na sua bochecha a marca de uma adorável covinha se fazia presente. Muito bonito. O Outro tinha o cabelo num tom castanho-arruivado, pequenos cachos caiam levemente pelo seu rosto, em contraste com sua pele branca repleta de pequenas sardas, mas o que mais me chamou atenção foi o seu olhar, azuis e grandiosos – por um segundo cogitei a possibilidade dele ser mais bonito que Brandon Harris, mas por só um segundo.

– Esse é o Collins, Oliver Collins – apresentou-me, apenas dei de ombros diante dos olhares em mim.

– Daniel Hill – o moreno disse sorrindo, apontando para seu peito – E Rian Evans.

– Hey dudes.

Não ficamos muito tempo ali, Brandon me puxou sutilmente pela mão, levando-me até a pista de dança. Havia várias pessoas lá, então o ato de mexer nossos corpos no ritmo da música era um pouco complicado.

Suas mãos estavam na minha cintura, juntando nossos corpos, eu podia sentir seu hálito batendo em meus lábios. Isso só me fazia querer diminuir a distância entre nossas bocas, mas não precisei fazê-lo, pois Brandon grudou seus lábios aos meus, logo pedindo passagem com a língua. Passagem que nem precisei pensar duas vezes para ceder.

Uma de suas mãos subiu para meu pescoço, começando a me arranhar levemente ali, mandando arrepios para meu corpo. Nossas línguas se encontravam numa fricção deliciosa, se não bastava Harris ter uma bela aparência, ele beijava bem.

O jeito que sua língua se remexia dentro de minha boca, o jeito que ele esfregava seu quadril sugestivamente contra o meu estava me animando de um jeito insano. Por um momento esqueci que estávamos dentro de um pub, mas Brandon me lembrou desse detalhe quando separou nossas bocas, fazendo-me morder o lábio em desaprovação.

– Nós estamos no meio de um pub, Oliver – lembrou-me, desnecessariamente. Tinha os olhos fechados, e sua boca estava entreaberta. Sexy, só o que eu podia dizer.

– Infelizmente – girei os olhos, suspirando logo em seguida – Quero beber algo.

– Pode ir lá, preciso resolver um assunto. Já estou indo – juntou nossos lábios num selinho rápido e começou a andar na direção contrária da qual eu estava andando.

Fui até o bar e pedi para o mesmo barman que me atendera tempos atrás mais uma caipirinha, essa bebida realmente agradou meu paladar.

– Você está saindo com o Harris? – perguntou-me com seu sotaque diferente, seus olhos mantinham-se em mim; parecia me avaliar.

– Sim… – respondi sem me importar muito. Tomei um gole começando a procurar Brandon com o olhar, não cheguei a encontrá-lo, pois o barman chamou-me mais uma vez.

– Ele vai te destruir no final. Não vai ligar para as lágrimas que provavelmente escorrerão pelo seu rosto. Brandon não tem coração, não vai ligar se destruir mais um.

– Foi assim que ele deixou você? – falei seco, rebatendo de um modo provocante, mas não obtive resposta, ele continuou a falar como se eu nem houvesse o interrompido.

– Você é muito bonito, e a propósito, meu nome é Breno.

– Oliver – pisquei para o garoto e comecei a me enfiar entre as pessoas, procurando por Harris.

Não precisei procurar muito para achá-lo, mas confesso que o tipo de “assunto” que estava resolvendo não me agradou muito. Ele beijava uma garota ruiva de pele alva, vestia um vestido esverdeado curto. Era uma garota bonita. Aproximei do casal, deixando o copo com a bebida pela metade por cima de mesa desocupada.

Brandon percebeu quando me aproximei, separou o beijo sorrindo para a garota e levantou apenas uma sobrancelha para mim. Sexy. Sorri e me aproximei um pouco mais, coloquei uma mexa ruiva atrás da orelha da garota e puxei levemente seu rosto, juntando nossas bocas. Não demorou muito e ela separou o beijo, sorrindo rapidamente para mim e voltando a atacar o moreno de olhos azuis. Girei os olhos e comecei a me afastar dali, mas fui impedido, pois Brandon segurou meu braço, mantendo-me parado no mesmo lugar. Assisti enquanto ele dispensava a garota secamente e puxava meu corpo de encontro ao seu.

– Ciúmes? – perguntou com um sorriso debochado.

– Você realmente acha? – Ri igualmente debochado.

– Que bom.

Sua boca atacou a minha, começando um beijo intenso. Nossas línguas travavam uma batalha, e eu adorava a fricção entre elas. Minhas mãos estavam perdidas em suas costas e pescoço, eu queria passar a mão em todos os pedaços de corpo possível. Senti quando sua mão desceu provocante pelo meu peito até a barriga, quando me arranhou levemente um ofego inconsciente escapou de meus lábios.  O beijo continuava, mas cada vez que Brandon arranhava minha barriga o ofego fugia de minha boca.

– Vamos dançar? – ele sussurrou logo após de separar o beijo, seu hálito batendo em meu rosto.

– Claro.

Fomos para o centro da pista, uma música pop-animada tocava, contagiando várias pessoas ali. Harris posicionou-se atrás de mim enquanto dançávamos, eu me esfregava contra seu corpo, fazendo-o sorrir levemente. Às vezes sentia um beijo ser depositado levemente na minha nuca, era impossível conter o sorriso.

O resto da noite foi ótima, provocante e divertida. Quando o relógio marcava aproximadamente três e meia da madrugada, decidimos deixar o pub. Sentei-me ao lado de Brandon no carro, em poucos segundos ele acelerava o automóvel pelas ruas vazias de Londres.

Deixei minha cabeça repousada no couro do banco, meus olhos andavam pelo rosto do moreno inconscientemente. Só reparei que o encarava descaradamente quando o carro parou em frente à minha casa, olhou para mim sorrindo.

– Você já está pronto para perder a aposta, Oliver? – perguntou provocante.

– E-eu… – desviei o olhar gaguejando, constrangido por ter sido pego de surpresa – N-ão… claro que não, Harris.

– Oliver… – chamou-me com a voz doce, sua mão descendo e segurando a minha – todos me chamam de destruidor de corações. Eu não sou fácil de se agradar, te avisei desde o começo, você não pode se apaixonar por mim.

Xinguei-me mentalmente pelo olhar intenso que mantive minutos atrás, coloquei um sorriso irônico no rosto e voltei a olhá-lo.

– Harris, Harris… Você acha mesmo que me faria apaixonar por você com apenas uma noite? – brinquei balançando a cabeça em sinal de negação, fazendo-o aumentar o sorriso.

– Então o que me diz de sairmos mais uma vez?

– Sair com caras ricos é sempre bom. Onde quer me levar dessa vez?

– Diga que aceita primeiro – provocou, aproximando seu rosto do meu.

– Tudo bem, eu aceito.

– Domingo de manhã eu te ligo para te falar aonde vamos – sussurrou e depositou um selinho rápido em meus lábios.

Mordi o lábio inferior enquanto via-o encostar as costas no banco de couro. Tirei o cinto de segurança que me prendia e me debrucei sobre ele, mordi seu lábio com um pouco de força enquanto minha mão subia sorrateiramente por sua perna, fazendo-o ofegar. Sorri.

– Até domingo então, Brandon Harris – dei um ultimo selinho e sai do carro. Escutei o carro do moreno acelerar enquanto eu entrava no pequeno hall do apartamento.

Deixei que meu corpo caísse pesadamente na cama, estava exausto, mas eu precisava muito de um banho. Obriguei-me a levantar da cama e ir até ao banheiro. O jato de água quente batia em minhas costas relaxando meus músculos aos poucos. Meu corpo poderia estar cansado, mas minha mente trabalhava intensamente com todos os acontecimentos de hoje, com certeza eu teria muito para relembrar, aumentar e esperar.

***

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